Metanóia
Uma sociedade que dá risada quando um troglodita diz, na televisão, que estuprou uma mãe de santo, que xinga a presidente da república de vaca, puta e outras "carícias" achando que isso é fazer política, que pede impeachment mesmo não existindo nenhum crime comum ou de responsabilidade, nada que constitua abuso de poder, nenhum desrespeito às normas constitucionais ou violação de direitos pátrios por parte da presidente, uma sociedade que tem em seus jornais colunistas retrógrados e higienistas com o discurso da "limpeza" da orla, sugerindo a cobrança de entrada em praias da Zona Sul do Rio para “reprimir as hordas de jovens assaltantes e arruaceiros”. noutras palavras - expulsar os NEGROS do alcance da vista, uma sociedade que reclama da "ditadura bolivariana", sem sequer saber (e nem procurar saber) quem foi Simón Bolívar e vai pra rua pedir intervenção militar, uma sociedade que aplaude os ditos "justiceiros" defendendo linchamento público como meio correto de recuperar o equilíbrio social, uma sociedade que, como bem disse o Renato Cinco, faz oposição anticomunista a um governo que não é comunista...

Se estamos numa democracia e se o Estado for mesmo constituído, antes de mais nada por um estado de espírito de seus cidadãos, por onde deve andar nosso espírito democrático? Será que somos uma sociedade cadavérica e ainda não nos demos conta?

Nação Zumbi?
Distopias oceânicas.

Para os tubarões que determinam o norte* do quadro geopolítico mundial...
somos só água salgada.
... mas todo mundo gosta muito de água e sem o "sal" do sul o "temperamento" muda, alterando as "temperaturas" da relações internacionais que perpetuam os privilégios desses monstros ultramarinos do norte.
O mundo é um misto de climatologia, culinária e geopolítica !
Utopia > distribuição do livro Epistemologias do Sul do Boaventura dos Santos por todo território-palafita situado nessa imensidão azul.
Como efeito, o azul água-salgada se transmutaria em vermelho-lava, derretendo/ engolindo, por meio de um fogo antropofágico, o norte* do quadro geopolítico, e teríamos assim, novas setas, apontando novos e múltiplos rumos revelando uma economia gastronômica diferente, onde o cardume também come o tubarão.
...quem sabe se assim o povo-cardume da água salgada não poderia deixar, de uma vez por todas, o difícil exercício de andar sobre as águas segundo os ditames das tarrafas dos tubarões do norte*, que hoje já não precisam viver na água salgada, mas que ainda precisam muito da água salgada para viver.
Artaud era obstinado com a destruição do real, com o seu estilhaçamento. Partindo da noção própria de concretude visava a desorientação dos sentidos, e talvez levasse em conta tal desorientação como uma espécie de portal, acreditando que uma nova topografia subjetiva poderia desvelar um lugar distópico, onde sonho e realidade perdessem suas cargas semânticas no justo momento de fusão, na qual aflora o surrealismo.
Tinha o inconsciente como algo físico e via no ilógico o segredo de um ordenamento no qual se expressa um segredo da vida. Ao ver esse trailer. fiquei com a sensação de que em breve vou encontrar o corpo de Artaud mutilado, seus membros e vísceras cintilantes, espalhados em fragmentos ritmados, seu éter desnudo e dançarino, sob a orquestração de Godard, dando Adeus à linguagem!
Curiosidade é essa ventania... e aquela porta batendo sem parar...
olhos famintos.
tomara!
Metanóia